da Agência Brasil
Como parte da programação do Ano de Portugal no Brasil, o Instituto Moreira Salles (IMS) e a Casa Fernando Pessoa, de Lisboa, promovem no próximo sábado (25), às 18h, um encontro sobre as tendências e os caminhos da literatura portuguesa contemporânea. Participarão do debate Vozes da Literatura Portuguesa os escritores Gastão Cruz, José Luiz Peixoto, Lidia Jorge, Patricia Reis e Rui Zink, todos com livros publicados no Brasil. A mediação será de Inês Pedrosa, diretora da Casa Fernando Pessoa.
De acordo com Inês Pedrosa, não foi fácil a seleção de escritores para o debate, que também ocorre hoje (21), em São Paulo, e na quinta-feira (23), em Porto Alegre. “A literatura portuguesa contemporânea mantém a vitalidade que a tornou, desde pelo menos Luís de Camões e Antônio Vieira, uma das literaturas de referência do mundo”, disse a diretora da instituição dedicada à memória e à obra do poeta Fernando Pessoa.
Para Inês Pedrosa, além dos escritores da nova geração, há autores portugueses ainda pouco publicados no Brasil. “Monumentos literários como Agustina Bessa-Luís, Vergilio Ferreira, Ruy Belo ou Natália Correia são ainda praticamente desconhecidos do público brasileiro”, ressaltou.
Paralelamente ao encontro literário, o IMS apresenta a partir de sexta-feira (24) a 2ª Mostra Cinema Português Contemporâneo, que traça um panorama da recente produção cinematográfica de Portugal. Até 6 de junho serão exibidos 24 filmes, de curta ou longa-metragem, produzidos entre os anos de 2000 e 2012. A seleção abrange filmes que têm relação direta com a literatura portuguesa, como O Delfim, de 2002, baseado em livro de José Cardoso Pires, e Filme do Desassossego (2010), inspirado em Fernando Pessoa.
A programação completa da mostra está disponível no site http://ims.uol.com.br/Programacao/D17 . O Instituto Moreira Salles fica na Rua Marquês de São Vicente, 476, na Gávea, zona sul do Rio.
da Agência Brasil
A ministra da Cultura, Marta Suplicy, disse hoje (22) ter confiança de que será possível reverter a decisão da Justiça Federal, que suspendeu editais de incentivo à produção cultural negra, lançados pelo Ministério da Cultura em novembro de 2012. Marta declarou estar “indignada” com a decisão que foi proferida sob alegação de que os editais não poderiam excluir as demais etnias e abrem um espectro de desigualdade racial. A ministra informou que o ministério já apresentou recurso contra a decisão.
“Estamos indignados, achamos que é uma ação racista, estamos recorrendo e vamos ganhar. Depois que tivemos o Supremo Tribunal Federal se posicionado a favor da cota, dizer que ‘fazer um edital para criadores negros’ é racista, não existe. Fizemos editais para indígenas, vamos lançar agora para mulheres e temos que ter ações afirmativas para compensar as dificuldades que afetam algumas comunidades”, disse a jornalistas.
Segundo a ministra, a necessidade de lançar editais de incentivo específicos para a cultura negra surgiu a partir da constatação de que a temática aparecia pouco entre os projetos apresentados para captar recursos por meio da Lei Rounaet. E, mesmo os selecionados, enfrentavam dificuldades para captar recursos. “A partir dessa constatação, pensamos que teríamos de fazer alguma coisa para os criadores negros terem chance”, explicou. A iniciativa, segundo a ministra, obteve sucesso e já contabiliza quase 3 mil projetos inscritos.
A decisão de suspender os editais foi proferida pelo juiz José Carlos do Vale, da 5ª Vara da Seção Judiciária do Maranhão. O processo foi movido como ação popular por um escritório de advocacia. Os editais foram lançados em comemoração ao Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, em novembro do ano passado. São incentivados projetos nas áreas de cinema, literatura, artes visuais, circo, dança, música, teatro e preservação da memória negra no Brasil.
Artistas lamentam decisão
Organizações de produtores negros que promovem atividades artísticas e culturais questionaram hoje (22) decisão da Justiça Federal, que suspendeu editais de incentivo à produção cultural negra do Ministério da Cultura. Foram inscritos 2,4 mil projetos de médio e pequeno porte que concorriam a R$ 10 milhões. Na avaliação das entidades negras, a medida é um retrocesso e compromete projetos que refletem a diversidade brasileira.
Há 12 anos na organização da Feira Preta em São Paulo, Adriana Araújo, revela dificuldade para acessar recursos, mesmo com uso de leis de incentivo fiscal estadual e federal, como a Lei Rouanet. Para fazer a feira de produtos étnicos nos últimos quatro anos, ela recebeu dinheiro de empresas privadas apenas da Petrobras, da Natura e do Banco Santander. “Mas não por leis de incentivo, que [por meio delas] poderiam passar quantia maior”. A dificuldade a fez buscar o edital do Ministério da Cultura.
Organizadora do Festival da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, Jaqueline Fernandes, de Brasília, sofre com o mesmo problema: captar recursos na iniciativa privada. Segundo ela, o edital suspenso era o início de uma política para grupos que sofrem com a burocracia e a discriminação. “Sentimos na pele a diferença quando a gente chega para as empresas, públicas ou privadas, com temas negros e outros projetos. Mesmo com a melhor produção do mundo, se forem estes os temas [gênero e raça, principalmente], vão ser preteridos”, disse a diretora da Griô Produções.
Para o presidente do Grupo Cultural Olodum, João Jorge Santos Rodrigues, da Bahia, a dificuldade de as empresas e dos editais universalistas distribuírem recursos para produtores negros é um reflexo do racismo das instituições. “Sé há um campo em que a contribuição dos afrodescendentes é fundamental e visível no Brasil é na cultura e no esporte, mas mesmo assim, como mostram os dados do Ministério da Cultura, por meio das políticas atuais, os recursos não chegam”, disse.
Na linha de frente da decisão judicial, a Fundação Cultural Palmares vai reunir amanhã (23) lideranças do movimento negro e os mais importantes produtores culturais negros para discutir a questão. De acordo com o presidente do órgão, Hilton Cobra, “nem com lupa” é possível encontrar projetos de incentivo à cultura negra patrocinados por empresas privadas no país, por isso a necessidade dos editais com recorte racial, que estão agora suspensos pela Justiça.
“É necessário que se saiba que há uma dificuldade nos mecanismos de captação [de recursos] atuais, que são excludentes e as empresas não querem vincular a marca delas à nossa cultura e arte negra”, completou Cobra. Ele também atuou por 25 anos como produtor cultural e cobra que a classe artística se manifeste. “Uma única pessoa não pode retroceder toda uma política”.
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Réplicas- Win Wenders- Asas do desejo
Tréplica- O fajuto Cidade dos anjos
da Agência Brasil
A Orquestra Jovem Paquetá, formada por 20 jovens e crianças moradores da Ilha de Paquetá, na Baía de Guanabara, fará um concerto amanhã (21), às 15h, no Teatro João Caetano, no centro do Rio, com entrada franca. A apresentação integra a série Sala de Música, da Sala Cecília Meireles, que atualmente passa por obras de reforma e modernização.
Sob a regência do maestro Bruno Jardim, a orquestra executará obras de Gioachino Rossini, Camille Saint-Saëns, Georges Bizet e Marcelo Caldi. Os jovens músicos estarão acompanhados do duo formado pelas pianistas Patricia Bretas e Josiane Kervokian, especialmente convidadas para o concerto.
“A orquestra vinha até hoje apresentando um repertório escrito para ela, mas constatamos que os músicos chegaram a um nível de maturação em que é também importante a execução de um repertório de clássicos”, explicou o diretor da Casa de Artes Paquetá, José Lavrador. A casa é responsável pelo projeto cultural que resultou na criação da orquestra.